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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Onde é que está o Natal???

Facilmente dá-se conta da época que se avizinha (pois, ainda se avizinha) mais ou menos a meados de Outubro, pois nesta altura já não há vantagem em tentar impingir livros e outras tralhas escolares aos miúdos. Simplesmente não funciona. Espertamente, as superfícies comerciais mudam de alvos, dirigindo as setas publicitárias a todos aqueles que partilham a noção sem noção de que se aproxima o Natal. É claro, quase como água, que estas referidas entidades fazem muito bem. Estão a "vender o seu peixe" e o mercado é duro. Cada segundo conta. E por isso começam a fazê-lo logo quando podem. Até aqui, tudo bem, relativamente. O pior começa quando se desfaz o verdadeiro significado destes tempos natalícios. Ora o Natal é uma palavra que tem origem na palavra natividade e que quer dizer nascimento. Esta comemoração do dia 25 de Dezembro remonta já a tempos muito antigos, mas a noção de Natal surgiu apenas com os povos do Império Romano. Estes eram anteriores a Cristo e politeístas, logo não se pode directamente co-relacionar o Natal deles com o nosso. Mas que nascimento comemoravam eles então? O do Sol Invicto.
Como se sabe, a agricultura teve um papel muito importante na sociedade, tal como ainda tem apesar de muita gente não o ver, e as estações do ano relacionam-se directamente com esta, assim como todos os dias especiais que têm também derivação astronómica, isto é, as fases da lua, os equinócios e os solstícios. O solstício de Inverno, que é aquele dia que tem a menor exposição solar acima da linha do horizonte é no dia 20 de Dezembro, mas isto é agora que temos todos os meios para o determinar com exactidão. Na altura dos inventores do natalis solis invictvs era o dia 25 de Dezembro que determinava a altura em que as trevas eram derrotadas e surgia um Sol Invicto crescente de dia para dia.
Posterior a isto está a determinação de um dia que, obviamente, se trata de um dia qualquer entre Março e Setembro mesmo não havendo registo dele em qualquer lado, por na altura não acharem ser importante, que é o dia do Nascimento de Jesus. Quer queiramos, quer não, a data escolhida foi 25 de Dezembro precisamente por causa desse Sol Invicto que nascia para nós. "Nem a morte o venceu." Passaram então os cristãos a comemorar esta festividade dando-lhe o cariz de nascimento do menino Jesus.
A matriz da sociedade portuguesa quis também ter presente essa data e consagrou-a como feriado nacional de nome Natal. Mas não deixou as suas raízes cristãs de lado, pois considerou-o também como nascimento de Jesus.
Entretanto as pessoas começaram a importar costumes, como é o caso da troca de presentes, da árvore de Natal, das luzes, do pai Natal e de muitas outras coisas. Com o passar dos anos, estas tralhas todas foram aumentando e generalizando até que a maioria as deu como certas nas suas casas e nas suas vidas. A verdade é que se foram esquecendo os valores que vinham com o nascimento contínuo de Jesus tais como a amizade, o carinho, o perdão, a familiaridade, a alegria, a satisfação, a simplicidade. Tudo isto deu lugar à luxúria, à avareza, à gula, à raiva, ao medo, à frustração, à fraqueza, à intriga, à ganância, ao ódio e à indiferença. O que se ganhará com estas mudanças? Nada. Há uma forma de ter paz, mas lá está, chateia. "Ia agora eu dar-me bem com o vizinho do lado? Ele tem um carro melhor que o meu!" Transpondo isto para coisas maiores e temos mais que muitos motivos para desatar aos tiros uns com os outros. Agora dizem-me vocês: este tipo ia falar do Natal e acaba em guerras... Tudo bem. Eu volto ao assunto. O Natal não deveria ser feriado geral porque um muçulmano, um ateu ou qualquer outro para quem o Natal é um dia comum ficará a olhar para si com cara de estranho quando lhe dizem que hoje não tem de trabalhar por ser Natal. Perguntar-se-á o que significará tal coisa. É como um cristão chegar, por exemplo, ao dia de Ashurah e ser feriado. Fica sem saber o que comemora. Perde todo o sentido. Claro que ficará contente por ter esse dia de descanso, mas creio que será sem sentido nenhum.
Isto tudo está mal e a culpa é de todos nós que não dizemos uns aos outros qual o verdadeiro significado do Natal. Seja nascimento de Jesus, seja do Sol Invencível, o Natal é o nascimento e se esse nascimento for de paz verdadeira e de harmonia então "Feliz Natal!"

Lá está! Isto sou eu que não percebo nada disto...

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Queiroz vai de certeza absoluta ao Mundial da África do Sul... excepto se não for...

Fontes muito próximas de Carlos Queirós confirmam. O seleccionador português está batidinho na África do Sul. Isto porquê? Porque é natural de lá e, muito provavelmente, tem vontade de lá voltar de vez em quando para relembrar as suas raízes. A dúvida que ainda persiste é se leva vinte e dois tipos com ele, equipa técnica e médica e auxiliares de vestuário. E também se será no próximo Verão. E ainda se estes dois factores se conjugarão. Ora para que isto aconteça, terá de a Selecção AA portuguesa obter algo do jogo de hoje frente à congénere da Bósnia e Herzegovina. Claro que não se trata apenas da Bósnia. O tramado disto é ser a Bósnia e Herzegovina. (Lógico que isto é só para alertar a comunicação social de um erro crasso que passa facilmente despercebido. Também se falava apenas em Sérvia e não em Sérvia e Montenegro. Vê-se agora que são dois países distintos. Quatro, aliás. Não, cinco. Sérvia, Montenegro, Albânia, F.Y.R. Macedónia e Kosovo. Duvido que o Kosovo já seja legalmente um país, mas enfim.) A juntar à festa na Bósnia e Herzegovina, está o palco do jogo. O estádio é relativamente degradado e de dimensões relativamente reduzidas. O campo, esse está bem preparado para a sementeira das batatas. A dificuldade está em esta ser em Março e não em Novembro. Fora isto, está perfeito! Acredito que uma enxada nas mãos de alguns dos seleccionados lhes iria fazer maravilhas. Tira peneiras, traz humildade, obriga a dar o litro e daria sempre material para revistas cor-de-rosa e não só. Voltando ao assunto da África do Sul, ou melhor, do play-off da UEFA de qualificação para o Campeonato Mundial de Futebol da FIFA de 2010, que se irá realizar na África do Sul, a selecção portuguesa tem muitas hipóteses de se qualificar, mas o problema não está aí. O problema está em haver hipóteses de não se qualificar. Estas já se deveriam ter esgotado. Mas convenhamos, Portugal e a sua selecção não são os mesmos sem um sofrimento até às últimas. "In Portugal the extra time is the best part of the game!" Digamos que é o fado luso...

Lá está! Isto sou eu que não percebo nada disto...